O Sensitivo e as outras pessoas

Com um conhecimento que vai muito além da intuição, o sensitivo sabe de coisas que nunca lhe foram ditas. Ele simplesmente sabe.

Os sensitivos são seres humanos que possuem a sensibilidade emocional mais desenvolvida. Através de estudos está provado que entre 15% e 20% da população mundial possui esse tipo de sensibilidade mais aflorada porque os seus cérebros processam informações sensoriais de forma diferente e por isso possuem sentem de maneira mais intensas que os demais.

A sensibilidade é uma das 72 faculdades mediúnicas e existem vários graus de sensibilidade, determinemos aqui uma escala de 1 a 7. 

Dependendo do grau de sensibilidade, um sensitivo sente no seu corpo as dores e doenças de outras pessoas. Um homem pode sentir as dores do parto da sua companheira a kms de distância, ou as dores de outra pessoa causadas pelo embate de um acidente.

Os sensitivos são portanto mais sensíveis a emoções, comportamentos e energias de pessoas e lugares. A presença de algumas pessoas ou a entrada em lugares específicos podem fazer com que um sensitivo se sinta mal. 

Um sensitivo facilmente sente as vibrações e presenças de seres não visíveis, pode perceber o pensamento de outra pessoa e até descodificar o passado ou o futuro de alguém.

Mas, um sensitivo é também facilmente influenciado pelas energias negativas, principalmente quando não crê, não tem fé nem desenvolve as suas outras capacidades espirituais. Por isso, é fácil encontramos sensitivos entregues ao mundo dos vícios: droga, álcool ou outros. 

É igualmente fácil encontrar sensitivos em manicómios, precisamente por serem facilmente actuados por espíritos invisíveis ao ser comum. Um sensitivo facilmente incorpora um espírito qualquer. Eles, os espíritos, sabem isso, sentem-no, e por isso irão actuar no sensitivo, por quererem sentir um vício que tinham em vida, por demanda do passado, ou simplesmente por quererem ter “um corpo físico”.

Normalmente, quem é considerado sensitivo considera isso como uma qualidade, uma habilidade positiva. Não podia estar mais errado. A sensibilidade aflorada dos sensitivos faz com que sejam normalmente excelentes ouvintes, pessoas caridosas com muita clareza de pensamento, conhecidos por darem bons conselhos.

Mas devido à sua sensibilidade emocional aumentada eles são muito influenciáveis pelo ambiente ou por pessoas, são capazes de detectar energias carregadas que estão impregnadas no lugar, detectam mais facilmente comportamentos falsos e não conseguem lidar com pessoas pretensiosas e/ou mentirosas.

São muitos os comportamentos e situações em que um sensitivo se sente mal. Todos podem ser capaz de identificar sinais de falsidade no discurso humano, os sensitivos possuem maior facilidade devido à sua extrema sensibilidade.

Lidar com alguém hipócrita ou falso pode ser tolerável para pessoas comuns, mesmo que eles saibam dessa característica da pessoa, para os sensitivos, isso é praticamente uma tortura, um desconforto intenso, doentio até.
Sentem-se cansados, sentem que a sua energia foi sugada, sentem-se frustrados, muitas vezes ficam com as mãos húmidas, com o coração palpitante e o bocejo é uma reação muito frequente em sensitivos.

Algumas situações que fazem com que um sensitivo se sinta mal:
- Falsos elogios – eles detectam logo a falsidade e mal conseguem disfarçar a sua decepção.
- Pessoas que aumentam as suas vitórias para ganhar aprovação e reconhecimentos dos outros.
- Pessoas que renunciam à sua personalidade ou tentam ser aquilo que não são para se sentirem por cima ou mais que os outros.
- Falsas delicadezas com intenção de receber algo em troca.
- Pessoas que estimulam a inveja e o ressentimento.
- Quem age de forma dura e insensível para ocultar dos outros a própria dor ou sensibilidade.

As reacções mais comuns dos sensitivos nestas situações são que muitas vezes nem conseguem explicar o porquê de estarem a sentir-se mal e o que está a causar isso nele.

Em questões de saúde, pessoas sensitivas costumam desenvolver problemas gastrointestinais e também nas costas.

Isso acontece porque o chakra do plexo solar, que é conhecido por ser a sede das emoções, tem sua base no centro do abdômen. Assim, é onde o empata sente de fato a emoção, o que acaba enfraquecendo a área e causando problemas.
Já as dores na coluna são comumente desenvolvidas quando o sensitivo desconhece suas habilidades. A falta de preparo da pessoa para receber seu dom acaba causando as dores e o sentimento constante de se estar sem chão.

Alguns conseguem identificar o foco, mas outros só conseguem pensar em afastar-se do ambiente e das pessoas que ali estão, e normalmente ouvem: “O que aconteceu? O que ele(a) te fez de mal?” sem saber explicar exatamente o porquê. Ficam nervosos, tensos e têm dificuldades em formar frases com clareza, o que em situações normais eles têm muita facilidade.

Se o sensitivo precisar estar num ambiente ou perto de alguém “que lhe faz mal”, ao afastar-se,  ele sente-se enjoado, tonto, podendo inclusive ter ânsia de vômito ou vomitar. Ficam muito calados, sem querer continuar a conversa e muitas vezes, ao afastar-se da pessoa ou do ambiente sentem um inexplicável sentimento de culpa.

Podemos ver alguns exemplos desta faculdade, em filmes como “o sexto sentido” de Outubro de 1999, com Bruce Willis, Haley Joel Osment e Toni Collette.

Em resumo: 
- As pessoas sensitivas são aquelas que costumam ser vulneráveis à presença de espíritos, além de terem fortes pressentimentos e intuições.

- Significa ter a capacidade de perceber, e também ser afetado, pela energia de outras pessoas. De sentir o estado de espírito alheio, além de ser capaz de captar mensagens que não são normalmente percebidas.

- Ser uma pessoa sensitiva não é algo limitado às emoções. Ela pode perceber sensibilidades físicas e espirituais, assim como perceber as intenções de outras pessoas.

- Com um conhecimento que vai muito além da intuição, o sensitivo sabe de coisas que nunca lhe foram ditas. Ele simplesmente sabe.

J. Coelho

Unus Pro Omnibus, Omnes Pro Uno

"O lema  na parte central do domo do palazzo federale  (palácio federal) da Suiça."
Unus pro omnibus, omnes pro uno é uma frase em latim que significa em português: "Um por todos, todos por um". 

É uma frase conhecida por ser o lema dos Três Mosqueteiros no romance de Alexandre Dumas. A 30 de novembro de 2002, seis Guardas Republicanos Franceses carregaram o caixão de Dumas do seu jazigo original no Cimetière de Villers-Cotterêts em Aisne para o Panthéon, numa elaborada mas solene procissão. O caixão estava coberto por veludo azul com a inscrição do lema.


É também o lema tradicional da Suíça. A Suíça não tem um lema oficial definido na sua constituição ou documentos legislativos. A frase, nos idiomas alemão (Einer für alle, alle für einen), francês (un pour tous, tous pour un), italiano (Uno per tutti, tutti per uno) e romanche (In per tuts, tuts per in), teve o seu uso popularizado no século XIX.


Após as tempestades de outono causarem inundações por todos os Alpes suíços no final de setembro e início de outubro de 1868, oficiais lançaram uma campanha de apoio sob este slogan, usando-o para evocar um sentimento de dever, solidariedade e unidade nacional no povo da jovem nação — a Suíça tornara-se uma confederação apenas 20 anos antes, e a última guerra civil entre os cantões, a Guerra de Sonderbund, acontecera em 1847. 


Anúncios em jornais circularam por todo o país usando o lema.  A frase associava-se crescentemente com os mitos da fundação da Suíça, que frequentemente também tinham a solidariedade como tema central, a tal ponto que "Unus pro omnibus, omnes pro uno" foi escrito na cúpula do Palácio Federal da Suíça em 1902. Desde então é considerado o lema do país. Políticos de todos os partidos e regiões reconhecem-no como lema da Suíça.


O IPE define num artigo

Comportamento: Um por todos e todos por um

Representa a união de todos num só objectivo, porém o significado dela é ainda mais profundo, porque na realidade representa a união não apenas de um por todos e todos por um, mas a defesa da união de ideais que representam acima de tudo a liberdade de um povo, cujos valores, através desses sentimentos deverão ser defendidos...


Helena Blavatsky escreveu no século 19 que “mesmo que pequeno, um grupo ou uma fraternidade só poderá ser teosófico se todos os seus membros estiverem magneticamente ligados entre si, pelo mesmo modo de, pelo menos, olhar na mesma direcção”.


Portanto “um por todos e todos por um” significa também que um grupo que queira obter algum proveito espiritual, deve estar sempre em perfeita harmonia e unidade de pensamento, pois cada um individual e colectivamente, deve ser no mínimo totalmente altruísta, gentil e pleno de boa vontade em relação a um dos outros, para não falar da humanidade, por isso não deve haver espírito de facção no seio do grupo, nem maledicência, má vontade, inveja, ou ciúmes, desprezo ou cólera; o que fere um deve ferir o outro, aquilo que alegra “A” deve encher “B” de prazer.


Dessa forma há muito tempo atrás a Helena Blavatsky, ja definia muito bem o grande significado desta frase e o que ela de facto insere em seu bojo, porque ela é a representação da verdadeira união entre pessoas e entre nações, porque se esse espírito não estiver contido nas pessoas, os verdadeiros motivos que representam a luta por um ideal maior ficam sem expressão. Em resumo ela diz textualmente:  

“ trabalhando sozinho ninguém pode conseguir isso, mas quando há vários é comparativamente fácil.”

Actualmente esta famosa frase está um pouco em desuso, até pelo facto da globalização estar presente em tudo e faz com que cada um corra mais do que outro, e que cada um se defenda da melhor forma possível, passando como um rolo compressor sobre o seu semelhante, sem se importar se está a magoar o outro ou não, esta frase hoje, para a maioria das pessoas infelizmente poderia ser escrita da seguinte maneira: “um por todos e eu por ninguém”, ou ”cada um por si e Deus por todos”, o que exprime de facto o sentimento de desunião e a incompreensão entre as pessoas, fazendo delas simples robôs, correndo atrás da própria consciência que nessa altura já se deteriorou.


Infelizmente é bastante comum, nos dias actuais verificar que o significado dessa frase realmente não tem a mínima importância, muito menos qualquer significado, ou seja, o seu significado foi totalmente distorcido, pela falta de respeito e da união entre as pessoas, basta lembrar o que  Cortella disse no seu livro “Sobre a Esperança”, que em determinado momento numa crise de táxis na cidade de São Paulo, onde se formavam enormes filas, para que as pessoas pudessem servir-se desse modo de transporte, em nenhum momento, enquanto permaneceu na fila, houve o mínimo de respeito ao próximo, pois cada um procurava furar a fila para se favorecer da situação, desrespeitando todas as normas e todos os bons costumes, tirando proveito para si em detrimento do outro.


Então, que a frase “ um por todos e todos por um” represente para todos na actual conjuntura uma verdadeira revolução para que o significado dela seja axiomaticamente respeitado e concretizado na sua essência.


namastê,

Bem Estar - Egos

E que nunca meças o teu, pelo que achas merecer ou pensas ter feito... mas sim pelas mudanças que não fazes e podes fazer.

A mudança, assim como a força de vontade está em nós. Da mesma forma que não consegues mudar outra pessoa, não existe ninguém que te possa mudar.

Só tu o podes fazer... o primeiro passo tem que ser teu. Acredita, Tem fé, junta-te a pessoas com as quais possas crescer como Ser... e não aos que te demovem e afastam do caminho espiritual, ou são indiferentes.

Só dessa forma chegarás a bom porto, só dessa forma crescerás enquanto ser, só dessa forma encontrarás a força e a motivação. Muitas vezes temos que ser confrontados connosco próprios, através do que nos dizem em prol do nosso bem-estar...

Confronta o teu EGO, não o alimentes, nem partilhes este texto porque o achas bonito... Lê, Interioriza, medita... O meu Ego não precisa ser alimentado com a tua partilha.

"Palmadinhas nas costas resolvem tantos problemas
como a sede saciada pela água que outro bebeu!"

namastê,

links de eventos e páginas de apoio
Jantar de Natal - Bazar Doar Faz Bem - A CEBE no Facebook

Como funciona o karma?

O Karma não é mau, nem pode sê-lo. Nem mesmo bom. Karma significa “reação”- a algo que aconteceu antes e que determina o que acontece depois. Podemos alterá-lo? A cada momento.
Temos o hábito de atribuir à sorte ou ao azar o facto de algo nos correr melhor ou pior… relativamente às expectativas que tínhamos. Outras vezes, culpamos ou exaltamos o Destino por aquilo que nos dá, esquecendo o nosso papel e a nossa responsabilidade em criar a nossa própria vida, independentemente de existirem ou não caminhos pré-definidos antes ainda do nosso nascimento. Ninguém pode garantir-nos se o Karma e o Destino existem, nem dar-nos certezas que só podem surgir dentro de nós. Mas uma coisa é certa: somos nós que escolhemos como reagir ao que nos acontece. Nós decidimos como agir perante o que a Vida nos apresenta.
A palavra “Karma” é frequentemente utilizada como uma espécie de sinónimo de “castigo”, mas felizmente há cada vez maior consciência sobre o seu verdadeiro significado. Karma é uma palavra de origem sânscrita – uma língua da Índia e das mais antigas da família Indo-Europeia – que significa “reação”. Reação é, por definição, uma resposta a uma ação anterior. Conforme a qualidade dessa ação - qualidade com o sentido de característica ou atributo – assim será a reação que provoca.
De acordo com esta ideia, não existem ações “boas” ou “más”, como não existem pessoas boas ou más. Existem sim, tendências positivas e negativas, dentro de todos os seres. O que chamamos de más pessoas são seres humanos que concentram em si e manifestam através suas ações uma quantidade superior de tendências negativas, que precisam de ser trabalhadas, sublimadas e transformadas em tendências positivas. E esse é um processo longo… de muitas vidas.
“Mal é ignorância, e Bem é sabedoria” (Henrique José de Souza), significa que a maldade é e advém da ignorância, ou seja, do desconhecimento do Homem relativamente às leis cósmicas e relativamente a si próprio. Sem o mínimo conhecimento de como estas leis universais se manifestam e se refletem na sua vida, o Homem terá de cair e levantar-se muitas vezes, até adquirir sabedoria, esse Bem precioso que resulta de todas as suas experiências e é fruto do seu próprio esforço.
E então o que posso fazer para alterar o meu Karma?
A cada momento, nós alteramos o nosso Karma, mesmo sem termos consciência disso. Dependendo dos nossos pensamentos - postos em prática ou apenas pensados – assim será a nossa vida. É por isso que se diz que nós criamos a nossa realidade. Daí a importância do autoconhecimento, e de nos vigiarmos, não de forma castradora e punitiva, mas de forma a nos conhecermos cada vez melhor, e a termos cada vez mais controlo das nossas emoções e da nossa mente, para que estas não andem num constante turbilhão ao sabor de elementos exteriores.
Se não está contente com a sua vida, lembre-se de que está apenas a viver o reflexo daquilo que antes criou e enviou, em atos e pensamentos. Depende de si alterar essa realidade. Para o fazer, conheça-se cada vez melhor, observe-se e observe o mundo, procure conhecer e reconhecer à sua volta as leis que regem tudo o que existe. Comece então a alterar, conscientemente, aquilo que sabe que está em desequilíbrio e que pode ser melhorado. Temos em nós todas as ferramentas de que necessitamos para trabalhar e lapidar o nosso próprio ser... somos uma obra de arte em progresso, e cada um de nós o único responsável pela sua concretização. Basta ter vontade, agir e realizar!
(texto de: Vera Vieira da Silva)

A ESPIRITUALIDADE E A PSEUDO-ESPIRITUALIDADE

Nos dias de hoje tudo à nossa volta insta a uma espiritualidade fácil, rápida e descartável, características que nada têm a ver com o despertar da consciência e que se opõe ao desenvolvimento de uma verdadeira espiritualidade.

Não nos enganemos: o caminho da espiritualidade não é fácil, não é uma fase, muito menos uma moda que chega e passa. A espiritualidade é um caminho que se escolhe, um caminho interior rumo ao despertar da nossa consciência, que como o próprio nome indica, tem implícita a concentração e o foco não no materialismo, mas no Espírito que desce e se manifesta na Matéria, animando-a de vida.

Espiritualidade vem do latim “spiritus”, que significa respiração ou sopro. Diz o Dicionário Michaelis, Espírito é o “Princípio animador ou vital que dá vida aos organismos físicos”. Num sentido mais lato, Espírito é aquilo que não tem forma, mas que sendo o Sopro, ou Verbo Divino, cria a Matéria e a anima. Por este raciocínio se depreende que é o Espírito que comanda a Matéria, e assim sendo, tudo o que nesta se manifesta - ou seja, no plano físico - tem a sua causa e princípio no plano espiritual, e não o contrário.

Seguindo esta ideia, a espiritualidade é a busca de respostas sobre os mistérios da Vida e do Cosmos por quem não as encontra no mundo material, no que lhe é explicado pela sociedade, e no que esta, de um modo geral, pratica. Essa busca, quando verdadeira, toma a forma de compromisso pessoal tomado de plena consciência, que implica uma vontade profunda de transformação e superação de si próprio, que necessita de todo o nosso empenho e de uma permanente auto-vigilância para se cumprir.

Cada vez mais nos é vendida a ideia de uma espiritualidade fácil e rápida, que passa por adquirir ou experimentar uma série de produtos e serviços que empregam em abundância termos de conotação espiritual e prometem resolver os nossos problemas, mudar a nossa vida, e ajudar-nos a nos tornarmos ”espirituais” de uma forma mais rápida. Duas coisas: nós já somos espirituais, precisamos é de tornar essa espiritualidade consciente e ativa; a via da espiritualidade não é fácil ou rápida.

A espiritualidade é um caminho longo e progressivo que tem em vista à nossa evolução. Mas não temos possibilidade de saltar etapas desse percurso. Podemos procurar acelerar o nosso desenvolvimento espiritual, o que é algo bem diferente, e que implica maior empenho e vontade, e também maiores desafios e responsabilidades. A evolução é o despertar do nosso potencial latente, do divino em nós. A existência da divindade dentro de nós - e não apenas fora de nós - é uma ideia natural em muitas partes do mundo. Um bom exemplo disso é a saudação nepalesa mais comum, “Namasté”, que significa “O deus que há em mim saúda o deus que há em ti”

Na espiritualidade, tudo tem a ver com vivenciação, pois esta não pode existir apenas em teoria, em conhecimento não vivenciado ou não aplicado. É o grande Teatro da Vida: é através das muitas experiências pelas quais passamos e de tudo o que vivenciamos ao longo de múltiplas reencarnações, que a nossa consciência vai despertando, que ocorre a transformação interior e a evolução da nossa mónada, ou seja, da nossa essência espiritual. Então, retomando o ponto anterior, não vamos saltar etapas na nossa evolução só por nos rodearmos de experiências momentâneas, símbolos e palavras que não compreendemos. Isso é uma ilusão.

De facto, cada vez mais se utilizam abusivamente palavras e símbolos sagrados sem uma compreensão do que significam, e com propósitos que por vezes nada têm a ver com esse uso, vulgarizando-os. Por vezes os símbolos são utilizados erradamente, invertendo a sua rotação, e fazendo com que o seu significado - e energia gerada - seja o oposto, passando a significar involução em vez de evolução, por exemplo.

Um dos símbolos que mais é confundido - e que ilustra bem o impacto da inversão de um símbolo - é a famosa suástica ou cruz gamada: este é um símbolo milenar, gravado em muitos templos da Índia, do Tibete, da China e de outros países com influência hindu e budista, aparecendo por vezes gravado no peito de estátuas do Buddha. Na sua obra de referência “A Doutrina Secreta”, Helena Petrovna Blavatsky - reconhecida teósofa e cofundadora da Sociedade Teosófica - explicou que a suástica é por excelência um símbolo da Evolução Cósmica.

Por isso, a suástica amplamente utilizada por Hitler que se tornou um símbolo dos ideais do nazismo não é, nem poderia ser, esta suástica, e sim uma suástica deliberadamente invertida - ou sovástica – o que inverte igualmente o seu significado, que passa a ser o de involução e caos em vez de evolução. Comparando a suástica gravada nos templos hindus com o estandarte nazi verificamos facilmente que a segunda é uma inversão da primeira. O movimento verifica-se pelo vértice, e a suástica tem um movimento no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto a suástica invertida ou sovástica de Hitler gira no sentido anti-horário.

Antes de se utilizar um símbolo é muito importante começar por estudar a sua origem e significado através de fontes fidedignas, pois há uma imensa quantidade de informação errada, sobretudo na internet. Qualquer símbolo ou palavra representa uma ideia, princípio ou força, e os símbolos tanto são criados para construir como para destruir - a suástica invertida é um dos maiores exemplos disso. Utilizar um símbolo é invocá-lo, tornando presente tudo o que ele representa.

Por isso é preciso muito cuidado na utilização de símbolos e palavras sagradas, para não os vulgarizarmos nem utilizarmos de forma a que possam tornar-se prejudiciais para nós ou para outros, mesmo que tenhamos as melhores intenções. Energia é energia: uma vez posta em movimento, ela vai gerar resultados, independentemente da nossa consciência relativamente à forma como ela se manifesta ou nos influencia.

Por outro lado, ter conhecimento dos símbolos ou das Tradições antigas não é garantia alguma de desenvolvimento espiritual. Quem envereda por um caminho espiritual está sujeito ao erro como qualquer outra pessoa, pois todos temos tendências negativas para resolver e transformar em tendências positivas, e o caminho que cada um tem a percorrer é único. A diferença é que, à partida, uma pessoa que deseja transformar-se e procura uma orientação nesse sentido dispõe de uma maior quantidade de ferramentas para (se) trabalhar. Assim, poderá evitar cair em alguns erros mais comuns. Mas tal só acontecerá se houver vontade e for feito um esforço nesse sentido.

Quando as pessoas se comprometem interiormente com um trabalho espiritual para a evolução da sua consciência, e tanto quanto possível auxiliar outros a fazerem o mesmo, não devem esperar que tudo passe a ser perfeito, ou achar que não vão cometer mais erros, nem vão ter mais problemas familiares, nem vão mais ficar desempregados, etc. As coisas não funcionam assim. Vai continuar a acontecer tudo o que for necessário para cumprirmos o nosso caminho e crescermos em consciência através de múltiplas experiências. Às vezes, a perda de um emprego ou o fim de um relacionamento podem ser uma bênção.

Infelizmente, o que tomamos por espiritualidade é muitas vezes uma pseudo-espiritualidade. Algumas pessoas, por exemplo, utilizam os seus conhecimentos e capacidades psíquicas ou intelectuais para cultivarem o seu poder pessoal, para serem adoradas e passarem a ideia de que são criaturas perfeitas, que não cometem erros, nem se enganam, ao mesmo tempo que tratam outras pessoas como inferiores, revelando incoerência, falta de humildade e desrespeito pelos princípios e valores que, em teoria, defendem. Mas mesmo isso faz parte do seu processo pessoal. E em última análise, a “pseudo-espiritualidade” tem a sua utilidade e cumpre o seu papel, nem que seja ajudando-nos a compreender o que a Espiritualidade não é.

A partir do momento em que se inicia um caminho espiritual, verdadeiramente, não há volta atrás. Quando há um despertar da consciência, não há como perder essa consciência, nem é possível continuar a viver como antes se vivia. É como uma morte, seguida de um renascimento: simbolicamente, é mesmo isso que acontece, só não existiu uma morte no plano físico. É como se antes estivéssemos mortos, estando vivos, mas sem viver verdadeiramente. Depois de sentirmos isso dentro de nós, não há como viver da mesma forma.

Concluindo, a Espiritualidade não funciona como um botão on/off, que se acende ou apaga em algumas áreas da nossa vida conforme nos dá jeito. Se a nossa espiritualidade não se manifestar em tudo o que somos e fazemos, em todas as áreas da nossa vida e na nossa relação com os outros, não é de todo espiritualidade. Tudo pode, no fundo, resumir-se numa frase genial que circula atualmente pela internet, de autor desconhecido: “Não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro”.

(texto de: Vera Vieira da Silva)
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