O Silêncio e o Lixo Mental

SILÊNCIO
Não são raras as vezes que encontramos este sinal, ou que alguém verbalmente ou por gesto, nos pede SILÊNCIO.
Há dois tipos de silêncio. Há o silêncio físico apenas: O da sala de cinema, da casa de fados, de uma sala de hospital, etc., em que precisamos manter o silêncio por respeito pela concentração e audição dos outros... para que assim possam desfrutar, escutar, assimilar o que estão a ouvir, a ver ou a fazer.
Mas, este silêncio de que vos falo hoje é o silêncio num templo, num velório (onde nos dias de hoje se faz mais ruído que num hipermercado), ou até de um simples exercício de meditação.
Este silêncio não se resume ao "fechar da matraca", este é um silêncio mais profundo, terapêutico, místico, espiritualista.
Posso dizer que o silenciar das palavras não é silêncio em absoluto, quantas vezes estão sem falar e de repente falam algo com a pessoa do lado? quantas vezes estão de boca fechada e na vossa mente é um ruído ensurdecedor?
Quando no silêncio apenas fechamos a boca é fácil falar sem pensar - sem dar conta, é fácil enervar-mo-nos porque alguém na sala disse algo - fez ruído. Porque acontece? - porque não estamos em silêncio dentro de nós, porque não sabemos silenciar a nossa mente!
Treine o silêncio. Muitas pessoas não criam o hábito da meditação porque a sua mente está povoada por "pensamentos", por "coisas", por "problemas", ou por simples dispersão mental.
Não pode haver silêncio exterior (ruído) se não houver silêncio interior. Esse silêncio interior consegue-se através de treino, insistência, persistência. Como em tudo na vida.
Quando está num local onde tenha que permanecer em silêncio (templo, etc.), procure fechar os olhos, manter-se numa posição confortável e depois deixe que fluam todos os pensamentos que surgirem, sejam eles quais forem. Conter pensamentos, forçar a canalização da mente para uma oração - a meio estará a pensar no jantar de amanhã ou numa conversa de ontem.
"Dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo".
" o vazio não existe".
Tendo por base estas duas máximas, estas duas leis da física, compreendemos que não existindo o vazio, temos que criar um vazio para o preencher com o pensamento que queremos ter nesse momento. Se dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, temos que permitir saia um para colocar outro nesse lugar.
Para que isso aconteça, deixe fluir o que lhe vem à mente. Quanto mais forçar mais persistem esses pensamentos... deixe-os fluir e eles desaparecem... aos poucos "NOVOS ESPAÇOS" são criados na sua mente, novos pensamentos ocuparão esses espaços... os pensamentos que você quer ter... mas antes de o fazer desfrute do "MOMENTO VAZIO" (momento C). Nesse estado vibratório já nenhum barulho em redor incomodará, pois já não está em silêncio no estado "Alfa" ou "Beta".
Desta forma será fácil chegar ao estado "Delta", onde se permitirá encontrar vibrações de outra dimensão (4ª). Para isso? deixe que o "lixo mental", a "poluição mental" se removam por si mesmas. Não o force, e vá preenchendo esses espaços (momentos) com pensamentos nobres, orações, etc. e tudo será diferente.
Há escritores que para conseguirem escrever sobre o tema que escolheram, primeiro escrevem "sobre tudo" e "sobre nada". Escrevem sobre o que lhes cem à mente, para que esse "lixo mental" desapareça e deixe lugar ao tema sério, ao tema sobre o qual pretendem escrever. A técnica é a mesma!
Namastê, J C

O GRANDE VAZIO


VISÃO DIRECTA

Os Iniciados nos Grandes Mistérios são unânimes em afirmar que a Ciência Sagrada não pode ser alcançada pela mente do profano, por mais que ele se esforce em penetrar nos seus Arcanos profundos.
Para qualquer resultado prático no campo do Ocultismo, deve-se começar pelo desenvolvimento da nossa natureza espiritual.

À medida que vamos penetrando na Estreita Vereda, as nossas faculdades vão-se ampliando até poder chegar-se àquilo que os Sábios Iniciados denominam de Visão Directa.
A verdadeira Realidade está muito além dos objectivos procurados pelos filósofos no campo do intelecto, ou pelos religiosos nas suas buscas nos textos dos seus livros sagrados.
Segundo o testemunho dos "Adeptos Perfeitos", o desenvolvimento dos valores espirituais latentes em todos os homens leva o Ser Realizado a possuir o conhecimento abrangente de todos os segredos da Natureza, e a confirmar por experiência própria todos os factos preconizados pelo Ocultismo.
Têm sido disseminados por todo o mundo os elementos da autocultura que podem conduzir o estudante aplicado a uma certa realização interna e ao controle das suas forças mentais. Mas os conhecimentos mais profundos dos Mistérios da Natureza, aqueles que proporcionam poderes transcendentais, são conferidos somente aos discípulos avançados que mereçam a confiança dos Mestres de Sabedoria. Por isso se diz que “muitos são os chamados, porém, pouco os escolhidos”.
Para chegar ao ponto de merecer a confiança dos Mestres, os discípulos têm de percorrer um longo período que pode estender-se por várias encarnações, submetendo-se a provas severas e provando ser devotados ao nobre ideal de servir a Humanidade impessoalmente, banindo de si qualquer sentimento egoísta, por mais subtil que o mesmo se apresente, que vise usar as benesses iniciáticas em proveito próprio. Quem não age com o coração limpo não deve contar com o apoio dos Excelsos Senhores do Governo Oculto do Mundo.
Somente aqueles de coração puro transbordante de amor e vida limpa podem ser admitidos no Santuário Interno, por já sentirem vibrar em suas almas os valores monádicos. Tal facto somente se consegue através da prática constante da Meditação Iniciática, que consiste num esforço consciente e bem direcionado no sentido de se ouvir o chamado da Voz do Silêncio, que se fará cada vez mais audível à medida que se avança no Caminho da Auto-Realização.
À medida que o Adepto amplia a sua Hierarquia, ele se recolhe cada vez mais no mais recôndito do seu mundo interior que passa a ser a sua fortaleza inexpugnável. O mundo exterior não tem sentido para ele que de há muito está acima dos desejos e aspirações puramente humanos, como esse que levam o homem comum a procurar a popularidade, a fama, o poder efémero.
Esses Excelsos Seres, sendo conhecidos como Encapuzados por permanecem incógnitos evitando de todos os modos os olhares da vão curiosidade profana. Pelo contrário, os pseudo-ocultistas chamam a atenção do mundo para as suas insignificantes figuras de falsos profetas e messias falsos inteiramente carentes dos reais valores espirituais. A prudência e o silêncio são os mantos que encobrem o verdadeiro Adepto.
Falando sobre a existência misteriosa dos Adeptos Independentes, assim se expressou um Iniciado:
“Como todo o verdadeiro Adepto do Ocultismo esconde zelosamente da vista vulgar do público o seu Conhecimento e Poder, os homens indagam se há algo de verdadeiro no Ocultismo ou se toda essa conversa de Planos mais subtis e Seres sobre-humanos não é apenas uma fantasia...”

[teosofia]
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