A CRUZ

No trato diário ocorre, muitas vezes, de reclamarmos das dores que nos chegam.

Vida dura! Cruz pesada! E, de uma forma muito particular, olhamos para as demais pessoas com olhos examinadores, concluindo que elas não sofrem tanto quanto nós.

Dia desses, ao comentarmos acerca do acidente que sofreu uma pessoa famosa, resultando em sérios danos físicos, ouvimos da boca de quem nos escutava:

- Ah, mas essa pessoa tem muito dinheiro. É rica. Não tem com que se preocupar. Tem quem lhe atenda. Médicos, enfermeiras, terapeutas.

Em nenhum momento, a pessoa a quem nos dirigíamos pensou que, mesmo com dinheiro e fama, o acidentado deveria estar a sofrer intensamente.

Sim, acreditamos sempre que a dificuldade dos outros é menor. As nossas é que são enormes.

Pelo facto de pensarmos dessa forma é que, no vocabulário popular, se fala da cruz para significar as dificuldades próprias.

Carregar a própria cruz. Cruz pesada.

Conta-se que, certa vez, um homem inconformado passou a clamar aos céus:


- Senhor Deus, a cruz que carrego é muito pesada. Não estou a suportar o peso das dificuldades e problemas que venho enfrentando.

Tanto reclamou que um dia, um espírito do Senhor apresentou-se e disse-lhe que as suas queixas tinham alcançado os céus.

Conduzido a um vasto campo, cheio de cruzes dos mais diversos e variados tamanhos, o amigo espiritual disse-lhe que poderia escolher, dentre todas elas, a que melhor se lhe ajustasse.

Animado, o homem examinou as cruzes. Finalmente, depois de muitas examinar, avaliar, testar, apanhou aquela que lhe pareceu ideal.

- Você tem certeza que é esta mesma a cruz que quer? Perguntou-lhe o mensageiro.

- Sim. Disse ele. Esta é a que melhor se ajusta aos meus ombros. Aquela cujo peso posso suportar.

Para seu espanto, o amigo pediu-lhe que olhasse mais atentamente e então, o homem descobriu que a cruz que escolhera era exactamente a sua, aquela de cujo peso reclamara tanto.

Deus é justo. Infinitamente bom e misericordioso. Jamais concede à criatura fardo maior do que possa suportar.

As nossas queixas simplesmente demonstram que não estamos a saber levar com dignidade a problemática.

Às vezes, por sermos muito rebeldes e não nos ajustarmos às disciplinas que nos são impostas, gostaríamos de outras porque gostaríamos muito de viver no amolentamento, na preguiça, não no trabalho e na luta.

A vida situa-nos exactamente onde devemos estar. Todas as condições necessárias ao nosso aprendizado são-nos apresentadas.

O que nos compete é colocar uma almofada entre a cruz e os ombros.

Uma almofada feita de virtudes cristãs.

Quando nos dispomos a servir, amar, perdoar, compreender, o peso das nossas dificuldades diminuirá tanto que até nos esquecemos que estamos sobre a terra carregando o fardo das dificuldades.

***
A dificuldade é teste de resistência. É oportunidade de combate.

Aprendamos a transformar as dificuldades que se acumulam nos nossos dias em oportunidades de trabalho e serviço.


Quando tudo estiver difícil e escuro, recordemos que além das nuvens pesadas, o sol está sempre a brilhar.

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