Vida, Universo e Criação


Quem somos nós?

Primeiro temos que entender como se formam a Vida, o Universo, o Mundo e a Criação.

- De facto, de onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Somos apenas um mero aglomerado de átomos formado pelo acaso?
Ou somos um ente, um ser senciente(capacidade de experienciar o sofrimento,seja a nível físico, seja a nível psíquico), uma consciência, em torno da qual se reuniram partículas, átomos, moléculas e células a partir de um centro de vida existente numa dimensão superior?

Só os animais podem ser sencientes, na medida em que, são os únicos seres vivos dotados de um sistema nervoso capaz de permitir a experiência do sofrimento.
Por outro lado, a senciência pressupõe a consciência, num grau mais ou menos avançado, pelo que, quando falamos em seres sencientes, estamos também a falar em seres conscientes (e, eventualmente, em seres auto-conscientes).

As religiões modernas, com os seus dogmas filosóficos-intelectuais, estão a milhões de anos-luz
de poder dar as respostas porque se fecharam no dogmatismo e nos interesses do poder, do mando e do dinheiro.

A ciência está em pior estado ainda - porque fez uma péssima escolha quando optou pela via
positivista - uma escola de pensamento ateísta-materialista, originada na Europa nos começos do século XVIII, “enriquecida” depois com as contribuições de Engels, Darwin e outros.

Hoje, a esperança de muitos no ambiente académico repousa na física quântica; mas mesmo esta, em grande parte revestida dos vícios positivistas dos seus adeptos, também não responde às questões primeiras acerca do surgimento do universo, do homem e da vida.

O nosso objectivo, é apresentar uma visão espírita sobre o tema. Não desprezamos os esforços
da física quântica, mesmo sabendo que as fórmulas, conceitos e ideias de que se vale são viciadas, limitadas e limitantes. A linguagem científica não é apropriada para explicar estas questões, como também, para o mesmo fim não são apropriadas as ideias teológicas das actuais religiões confessionais. Além do mais, a razão e o intelecto não são o instrumento mais indicado para estudar e compreender os fenómenos do surgimento da vida e do universo.

O melhor instrumento para isso é a CONSCIÊNCIA. Mas ainda confundem ‘mente’ com ‘consciência’...
Num passado distante da humanidade havia um idioma e uma forma de pensar capazes de expressar adequadamente as ideias e as fórmulas sobre a vida, o universo, Deus, o mundo e o homem. Esse idioma e essa forma de pensar não se valiam da razão nem do intelecto, mas da ‘consciência’. Essa forma de pensar era muito parecida com a dos actuais mestres do zen budismo. Trata-se de um pensar sem uso da razão e de um expressar distinto do idioma do intelecto.

Hoje em dia entende-se a ‘consciência’ como um funcionamento secundário da mente ou da actividade cerebral, segundo os materialistas. Mas, de acordo com o físico quântico hindu Amit Goswami, “o problema desse ponto de vista é que se começa com partículas produzindo átomos,átomos produzindo moléculas, moléculas produzindo neurónios, neurónios produzindo o cérebro e o cérebro produzindo consciência.

Isso transforma a consciência num objecto, apesar de que os objectos fazem parte da experiência da nossa consciência, e não só eles, mas o todo.

O enfoque convencional não consegue incorporar essa duplicidade do sujeito e objecto. Na física quântica existe uma profunda descontinuidade, sendo que algumas partes do movimento quântico são previsíveis. Por exemplo: os objectos da física quântica são considerados ondas de possibilidades. Como essas possibilidades se vão espalhar pode ser previsto pela matemática quântica; mas como as possibilidades se transformam em realidade concreta não pode ser previsto.
A consciência faz o colapso dessas possibilidades para ser algo – isso é o que chamamos de salto quântico.
Então, a consciência é incorporada na física quântica como o escolhedor da realidade entre as possibilidades existentes”.

Quando se pergunta se a consciência dependia do cérebro, Amit foi taxativo: “Não somente a consciência não depende do cérebro como é o cérebro que depende da consciência. Isso vira o ponto de vista materialista (newtoniano) de cabeça para baixo. A vantagem é que você consegue começar a entender a divisão entre sujeito e objecto, e incorporá-los numa mesma realidade. Percebi, ao longo do tempo, que aprendi mais analisando ocorrências extraordinárias do que ordinárias”. [Extracto de uma entrevista à revista PLANETA].

Para colocar as complexas e multifacetadas realidades do surgimento da vida, do universo e do homem na forma dialéctica capaz de ser entendida pelas pessoas cultas em matérias transcendentais, vamos utilizar o vocabulário comum e conhecido nas distintas escolas teosóficas, budistas, rosacruzes, maçônicas e gnósticas, mesmo sabendo, de antemão, que cada qual, hoje, em maior ou menor grau, se vale de seus próprios filtros, sem desconsiderar que raros são os que dominam a linguagem dos símbolos e dos arquétipos das antigas culturas.

Para grande parte dos cientistas actuais a origem do universo deu-se através de uma explosão. Nesse caso, também nos vamos conceder a mesma simplicidade, e dizer que o universo não nasceu nem poderia ter nascido de uma explosão, porque tudo segue modelos e fórmulas anteriores ou pré-existentes na consciência do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO [dizem os maçons], de DEUS [dizem os cristãos] ou do LOGOS DEMIURGO [dizem os gnósticos].

É universal e unânime a aceitação da ideia ou pressuposto que DEUS, o LOGOS, o DEMIURGO não teve começo nem terá fim... Portanto, aceitemos isso também, dessa forma.
Exemplos desses modelos e fórmulas pré-existentes na natureza são os desenhos naturais encontrados nas rochas e mármores e também em qualquer bloco de gelo, quando serrado e examinado por um microscópio atómico.
Esses mesmos desenhos repetem-se em tudo e em todas as coisas, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande.

Conclusão: quem compreender adequadamente a origem, concepção, formação, nascimento, desenvolvimento e morte do homem, compreenderá, por analogia filosófica, como surgiu o universo.
A ideia do BIG BANG pode ser comparada ao nascimento de uma criança. Ambos se formam e se desenvolvem dentro de uma matriz, com a diferença que a matriz cósmica não tem exterior segundo o nosso ponto de observação [porque também estamos e vivemos no seu interior]. E se o nascimento humano se desse por meio de uma explosão
dentro da matriz, a nova criatura nunca sairia do ventre materno. Porém, como o bebé humano sai de sua matriz, é lógico também supor e admitir que um novo universo também sai de sua matriz [e nós aqui e agora somos parte desse novo universo]. Nesse caso, de onde surgiu o actual universo? Onde foi gerado? De onde veio?

Perguntas inquietantes, sem dúvida. Sem maiores detalhes diremos simplesmente que um novo universo surge das dimensões superiores do GRANDE VENTRE CÓSMICO [matriz de todos os incontáveis universos que tenham existido anteriormente].

Se no dizer de Hermes Trimegisto “o inferior é igual ao superior, e o superior é igual ao inferior”, então um MACROCOSMO renova-se e morre como se renovam e morrem as células de nosso corpo, num sistema de renovação permanente, porém que tem um limite, tal como a vida do MICROCOSMO. Terminado o tempo, vem a sua morte ou a sua dissolução.

Vale perguntar: - e depois da morte do homem, o que acontece? As religiões populares dizem que quando o ser humano morre, vai para o céu. As religiões esotéricas [não-populares, não-confessionais] dizem que “o espírito” renasce num novo corpo, trazendo consigo o “karma” da vida anterior. A ciência nem sequer leva isso em conta... Para um materialista-ateísta-positivista, a morte é o fim de tudo.

Em termos de MACROCOSMO, as religiões não dizem nada; desconhecem esse assunto. Quanto à ciência, essa está mais preocupada em desvendar como se deu o suposto BIG BANG...
Dizemos que os universos nascem e morrem na sua respectiva escala de tempo, cujo “espírito ou consciência cósmica” volta a renascer sucessivamente em novos e futuros mundos...

Falta explicar como se deu a concepção do universo e quem foram os seus geradores ou seus pais. Nisso, a maioria dos quânticos ainda não conseguiu conceber nada que vá além da matéria, da mente e da energia ou que não seja ‘matéria’, ‘mente’ ou ‘energia’. Nisso, o físico hindu Amit Goswami parece ser uma das poucas excepções; é um dos poucos que percebe que além de ‘matéria’, ‘mente’ e ‘energia’ existe algo chamado CONSCIÊNCIA.

Efectivamente, não se pode avançar muito em física quântica sem admitir a realidade ou a presença da CONSCIÊNCIA [que é diferente de MENTE] em tudo e em todas as coisas. Um grande salto será dado quando essa ideia puder ser inserida nos modelos matemáticos actualmente conhecidos, ou mesmo, na dialéctica quântica.

Para a quase totalidade dos físicos, ‘matéria’ é diferente de ‘mente’ e de ‘energia’. A matéria não passa de substância mental em estado físico; todo o universo é feito de matéria mental, energia e consciência.
Aos físicos, falta-lhes compreender que a criação é um fenómeno presente não só nesta dimensão que conhecemos e onde vivemos, mas que se trata de uma realidade multidimensional. A partir do momento em que se abrir o entendimento para a realidade da coexistência de várias dimensões, materialidades ou substancialidades, tudo e todas as coisas passam a ter também diferentes estados e propriedades físicas, químicas, mentais e de consciência.
A mente é apenas um dos vectores ou presenças neste fenómeno universal e pluridimensional
chamado vida. O mesmo se aplica à energia, se tomada isoladamente, e também à consciência. Podemos rotular de “energia” um sem número de estados distintos de matérias que se apresentam aos nossos olhos, matérias essas, diferentes do estado sólido, líquido ou gasoso como conhecemos.

Dizemos que a luz não é matéria nem energia; dizemos que electricidade é energia. Mas, por exemplo, o que sabemos hoje sobre a “natureza” da luz, do fogo e da electricidade? Nada! Apenas conhecemos os seus efeitos, mas sobre a sua natureza, nada sabemos.
Não seria um grande despropósito afirmar que a electricidade é uma das naturezas do “espírito puro” ou da “consciência cósmica”. O mesmo diria acerca do fogo.

Axiomáticamente podemos afirmar que a compreensão total e absoluta destes temas jamais será alcançada pela mente humana.
A mente não pode compreender a realidade e o funcionamento do “espírito puro” ou da CONSCIÊNCIA UNIVERSAL.
Seria o mesmo que desejar que a inteligência natural de uma célula humana pudesse entender o que é o ser humano em si mesmo em toda sua extensão e grandiosidade.

(Entre os filósofos gregos antigos, um axioma era uma reivindicação que poderia ser vista como verdadeira
sem nenhuma necessidade de prova. Na epistemologia, um axioma é uma verdade auto evidente, na qual outros conhecimentos se devem apoiar e a partir da qual outro conhecimento é construído).
No entanto, proporcionalmente na grandiosidade do universo, somos ainda menores que as nossas células em relação a nós mesmos. Essa percepção já deveria ser, de per si, suficiente para os materialistas se darem conta de quão escassa e limitada é a mente humana [intelecto], para desvendar os segredos e mistérios do universo.
Assim como uma célula no nosso corpo tem uma inteligência natural [consciência instintiva ou elementar] para elaborar, produzir e manter a vida dentro de seu estreito espaço da massa corporal humana, assim também a minúscula crisálida humana tem apenas uma limitada inteligência natural [mente racional] que lhe permite apenas participar da vida dentro do seu próprio espaço celular cósmico.

Os actuais homens de ciência partem do princípio que o ser humano actual, mesmo com todas as suas limitações racionais, já é uma obra acabada e perfeita dentro do universo - e aí está o principal e maior equívoco.
Essa inteligência natural e esses 5 sentidos funcionam mal; não são suficientes para aceder e compreender as realidades metafísicas e transfisiológicas.

Houve um tempo, num passado remoto da humanidade, que o ser humano era dotado de 12 sentidos em perfeito funcionamento:
5 sentidos físicos ligados à mente e 7 sentidos ocultos, relacionados à consciência. Mas, ao decidirmos dar prioridade às coisas e interesses da vida material ou externa, acabámos atrofiando e adormecendo os sentidos internos, da consciência, além de perder grandes capacidades dos cinco sentidos ordinários do corpo humano.

Por isso, tornámo-nos totalmente cegos e surdos a tudo o que está para além dos cinco sentidos
ordinários hoje conhecidos.
Somente os sentidos da consciência, os sentidos internos, nos permitem ver, conhecer, estudar e investigar as dimensões superiores do universo e da vida e perceber também outras naturezas materiais e substanciais.

Para (re)activar esses sentidos, é preciso que ‘despertemos’ a CONSCIÊNCIA [que se atrofiou por falta de uso, especialmente nos últimos quatro mil anos].
Se dessas coisas nada sabe a ciência, o que nos importa? Paciência! A realidade é que os cientistas [fanáticos] desprezam o divino e os crentes [fanáticos] das distintas religiões desprezam a matéria.
Uns dizem que não seria ciência caso aceitassem um factor divino a reger tudo; os outros dizem que não haveria salvação aceitando-se a ideia de um Deus que também se reveste de matéria – como se matéria e espírito não fossem meramente dois pólos de uma mesma e única realidade.

Não nos deixemos enredar na dualidade intelectual, nem nas crenças - sejam elas científicas ou religiosas.
Busquemos a compreensão directa pela vivência e pela experimentação. Isso só é possível através da CONSCIÊNCIA, não da mente.

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