The Secret


O SEGREDO (THE SECRET)

Existe por aí um filme chamado O Segredo, que tem atraído a atenção de muitas pessoas. Muitos consideram este filme uma chave maravilhosa para melhorar ou mudar a sua vida.

Fomos pesquisar sobre este filme e, não encontrámos nada que pudesse traduzir ou configurar-se como um segredo para nós. Mas, no mundo de hoje, tudo que possa aumentar as possibilidades de ganhar dinheiro, atrair mulheres ou namorados, boa sorte ou fortuna, acaba por se tornar muito importante e muito valorizado. O segredo para nós é outro.

Começamos por uma frase axiomática, “o nosso nível de ser é o segredo”, não é o que pensamos, nem o que a mente diz, não é o que desejamos, mas sim o nosso nível de ser, esse é o segredo. Devemos focar e ficar atentos ao nível de ser, temos de fazer uma avaliação criteriosa e profunda agora mesmo. Qual é o nosso nível de ser?

Por exemplo, deixando no ar a pergunta para que cada um responda. Qual é o nível de ser do bêbado? Onde se sente o bêbado feliz e à vontade? Qual é o paraíso do bêbado ou do viciado? Onde é que o viciado se sente bem? Qual é o paraíso do devasso e do luxurioso? E assim sucessivamente.
O nível de ser de um cientista, seguramente, é diferente do nível de ser de um religioso, de um pastor, de um padre... E qual é o nível de ser de um místico? Se nos concentrarmos encontraremos muitos níveis de ser e é por isso também, que encontramos muitas linhas e escolas. Cada uma representa um nível de ser e cada um sente-se bem na escola com que se harmoniza, que corresponde ao seu grau, ao seu entendimento, á sua compreensão, á sua inteligência ou á sua formação geral.

Se quisermos levar por diante uma evolução pura, certamente espantaremos a todos. Por enquanto, o nível de ser da humanidade é baixíssimo e gravita em torno de dinheiro, prazer, conta bancária, consumismo, então aí temos um choque, um conflito.
Seja como for, o tema que propomos desenvolver aqui, sobre essa expressão O Segredo gravita em torno do nível do ser. Devemos examinar em que nível de Ser estamos. O nosso nível de Ser praticamente revela o nosso traço psicológico, porque pode ser que o nosso nível de ser seja a ira, o orgulho, a vaidade ou a ambição. Temos de tomar consciência disso, porque atrairemos para nós, segundo as vibrações correspondentes do nosso nível de ser. É o nosso nível de ser que determina as cores e o brilho da nossa aura, revela o peso do nosso coração e mostra se os nossos rins (balança do karma) estão em perfeito equilíbrio [ou desequilíbrio]. Tudo gravita em torno do nosso nível de ser.

Portanto, amigos e interessados, o segredo é o nível de ser. Qual é o degrau que ocupamos especificamente na escalada do ser? Não falo do nível de ter. Confundem o ser com o ter; em muitos países do mundo você é aquilo que tem; se você não tem nada, você não é nada. Mas, para o astral, o ser é mais importante que o ter.
O ser é tudo e o ter é nada, são coisas emprestadas pela vida para usarmos enquanto aqui estivermos a fazer o nosso trabalho, a aprender, a cumprir a nossa função ou missão. O fundamento do trabalho espiritual repousa no nosso nível de ser, pois é ele que atrairá para nós isso que chamam sorte ou azar, só que sorte ou azar não existem, é uma lei de imantação universal, do magnetismo, atrair aquilo que está em sintonia com a nossa vibração. Lobo anda com lobo, ovelha com ovelha, leão com leão, se o nosso nível de ser é baixíssimo como podemos atrair seres, pessoas ou oportunidades de um nível mais elevado? Não há forma; pobre casa com pobre, rico com rico. Porque pobre só conhece pobre e rico só conhece e convive com rico; de vez em quando surge uma excepção e o resultado prático costuma ser quase sempre um desastre.

Meditemos sobre tudo isto, porque são exemplos práticos de vida, observados e retirados do cenário da existência; não está nos livros; vemos, olhando com olhos de ver, á nossa volta no convívio social. Investiguemos através da técnica da meditação, da introspecção, da auto-análise, qual é nosso nível de ser. Como reconhecer o nosso nível de ser? Há muitas maneiras de se reconhecer e investigar: se somos pessoas que falamos palavrões a toda a hora, certamente o nosso nível de ser é baixo, dos mais básicos e primitivos. Se a nossa vida se caracteriza por um modo de viver instintivo, brutal, é claro que nosso nível de ser é baixíssimo, instintivo, primata, animal ou bestial; nisso não há ser; falta consciência, porque somos puro instinto.

Se a nossa mente se ocupa apenas com fantasias, devaneios, ganhar na lotaria ou chegar a alcançar riquezas, prestemos atenção a este tipo de fantasia, sonho e projecção, este sonhar acordado. Porque o queremos? e o que faríamos com a fortuna nas nossas mãos? Uma grande parte das pessoas torraria essa fortuna toda em prazeres, em gratificações sensoriais, não teria um milímetro de acréscimo ao seu nível de ser, isso configura-se como um mau uso da fortuna.

Muitas pessoas hoje nascem com karma positivo e não sabem viver adequadamente. Fazem desse dharma uma fonte de infortúnio em vez de alegria e felicidade porque o seu nível de ser é baixo, não conseguem harmonizar a circunstância interna com o ambiente externo, falta aprender a relacionar-se com o ambiente, com o mundo, assim, em infinitos desdobramentos. Creio estes exemplos suficientes para chamar a atenção neste sentido, que o segredo está no nível de ser de cada um.

Os solteiros perguntam como proceder para encontrar alguém que “me compreenda”, “me complemente”, “me siga pelo caminho”. É evidente que, se não mudarmos o nível de ser, não atrairemos um complemento adequado, porque pela Lei da Imantação Universal atrairemos para nós aquilo em que vibramos. Se vibrarmos num nível de ser baixíssimo, é claro que atrairemos outro(a) troglodita. Devemos sair do estado primata para o estado humano, não podemos sonhar com anjos e Deuses, príncipes maravilhosos ou princesas de reinos desconhecidos como nossos companheiros ou companheiras de jornada, não há harmonia nisso, pois o nosso nível de ser é muito baixo.
Primeiramente, temos de construir ou elevar o nosso nível de ser, assim podemos esperar que surja alguém do mesmo nível, pois esse é o princípio da imantação ou magnetismo universal.

A sabedoria popular diz o seguinte: “dinheiro chama dinheiro”, às vezes vale a pena meditar sobre isso. É claro que a sabedoria popular se refere ao dinheiro material, mas se mudarmos isso para a moeda cósmica, perceberemos claramente que o capital cósmico nos permite negociar com o Tribunal da Lei e a sairmo-nos bem nos negócios com a Justiça Divina mas se não tivermos dinheiro cósmico, o que atrairemos para nós, já que não temos com o que pagar as nossas dividas? Todos sabem que, quem não tem com o que pagar, paga com dor, sofrimento, amargura.

Se quisermos ser bem recebidos, tratados, honrados, celebrados, reconhecidos, tanto neste mundo como no outro precisamos de ter dinheiro. Aqui manda a conta bancária, lá mandam os tesouros que a traça não corrói. São os tesouros do espírito, que nada mais é do que um elevado nível de ser, este é o segredo, investir na edificação de nível de ser superior a este que temos hoje.

Como fazer isso? Aí começamos com menos teoria e mais prática, viver a vida nos factos, não nas abstracções intelectuais, não nas tertúlias com os colegas, é muito bonito, muito agradável para a personalidade reunirmo-nos na sala, nos cafés e conversarmos sobre os nossos anelos, trocarmos ideias, não há mal algum. Entretanto, se nos limitarmos somente a isso, a vida passa e um dia descobriremos que os dias passaram e só falámos acerca do caminho ou do crescimento espiritual e pouco realizámos. A evolução é feita no dia-a-dia e é nos factos que ela se concretiza.

Perguntaram a um Mestre do TAO: “o que é o TAO?”. E ele respondeu: “a vida comum”; “mas então o que se deve fazer para viver de acordo com ela?”. E o Mestre respondeu: “se você viver de acordo com ela, fugirá de si”. Não se trata aqui de cantar essa mesma canção, mas deixar que ela toque sozinha, deixemos que a música flue e nós devemos adequar os nossos passos e movimentos de acordo com as notas e os compassos da música que flúi, este é o segredo de viver. Agora, o que temos é uma atitude equivocada, queremos criticar o maestro e o reportório.

A dualidade mental faz com que fujamos muitas vezes da música, ataquemos ou rejeitemos, fazemos tudo, menos compreender porque naquele momento é aquela música que está a ser executada. O que devemos fazer é voltarmo-nos para nós mesmos e perguntar: qual é a relação desta música com minha vida? E tratar, então, de dançá-la segundo o seu ritmo e de acordo com as melodias que fluem, porque não podemos mudar a vida, mudar o universo, a vida é, a realidade é, nós estamos aqui. Então, somos nós que temos de acompanhar a música, pois a música já aqui estava antes, o reportório é este. Quando aqui chegámos, tudo isto já existia, podemos mudar isto, mas primeiro devemos tornarmo-nos donos dos processos da construção da música existencial. Antes disso, não adianta criticar, precisamos compreender e aceitar.

Mencionámos numa ocasião anterior que a compreensão é o vazio existente entre os dois extremos, do sim e do não ou da dualidade mental. Este é o nosso problema, somos atirados para os dois extremos como o pêndulo de um relógio e o que devemos fazer é repousar no centro, compreender, a compreensão é a luz, é o vazio.

O segredo está em viver os factos e não em fazer dos factos diários um problema. É facto que temos de comer, vestir, cuidar da nossa saúde, higiene, é facto que também temos que cuidar um pouco da nossa apresentação, não por vaidade, mas por respeito aos nossos semelhantes, porque senão estaríamos a agredir os nossos semelhantes.

Não há como fugir dos factos, mas o segredo está em não fazer dos factos um problema, e como resolvemos isso? Comemos quando precisamos de comer, se não tiver o que comer, não coma, viva o facto e a realidade, mas nós reagimos diante do facto ou da evidência de, eventualmente, durante um dia ou alguns dias, não termos o que comer.

Aprendamos a deixar que a música toque por si mesma e movamos os nossos passos segundo os acordes e os ritmos, porque fazer disto problema tem sido um drama e um desastre nas fileiras humanas, pois justamente falta ao estudante a compreensão do mais básico e elementar de tudo. Ele ignora o segredo de bem viver, viver com inteligência, rectamente, viver a vida como ela é, este é o segredo da felicidade. Não confundamos aqui felicidade com prazer, porque há diferença, muitos confundem prazer com felicidade. A felicidade é do coração, o prazer é dos cincos sentidos.

Se alguém, por um processo qualquer, fosse desligado por um momento dos seus cincos sentidos, ele coisificava-se instantaneamente e tudo aquilo que para ele era tão importante, como os prazeres sensoriais, desaparecia, nem saberia de si mesmo, não teria mais lembranças do que é o prazer, aniquilar-se –ia completamente. Um ateísta materialista poderia dizer que essa criatura simplesmente se transformou numa pedra, num pedaço de árvore cortada ou num tronco podre inerte sem nenhum meio de sensibilidade. Para a percepção ateísta materialista isto está correcto, porém aquele que sabe que a única realidade é a consciência cósmica, que tudo em realidade é consciência e que todas as formas são um invólucro de expressão dessa mesma Consciência Universal, grande oceano da vida, ou como queiram denominar.

Se a palavra Deus está desgastada, troquem, usem como Consciência Universal, ou Grande Oceano da Vida que se expressa em todas as formas de vida, desde uma gigante galáxia até um micróbio desprezível numa poça de água suja, tudo é consciência e forma, a não-forma é forma.

Então, o que é o TAO? O TAO é o vazio e a plenitude, a forma e a não-forma. Porque fazer disso tudo um problema e motivo para conflitos?, porque nos desgastarmos nos extremos das engrenagens mecânicas da mente, como se fôssemos um relógio que depende de um pêndulo?

Quando se diz que devemos tratar de despertar a consciência, na realidade diz-se para deixarmos de sonhar. E o que é deixar de sonhar? Um gigantesco passo será dado se mediante uma disciplina no sentido de conter a mente como se fosse um cavalo selvagem, aplicássemos a nossa vontade deixando de fazer projecções e de fantasiar aqui e agora enquanto estamos neste mal chamado estado de consciência de vigília. Se conseguirmos conter a mente rebelde, amedrontada, aí começa o nosso despertar, porque a mente não sabe nada da vida e nem pode saber, pois da forma que age e que se encontra hoje, perdeu o seu verdadeiro papel, local, lugar.

A mente é receptora, não é projectora. Isto é uma invenção em que nós, por desconhecimento e ignorância, acabamos por educar mal a nossa mente e, por acréscimo, amargamos as consequências de tudo isto. Se a nossa vida é triste e infeliz, se estamos em conflito fora é porque temos o conflito dentro e não conseguimos parar esta guerra interior e esta luta de opostos, de extremos, de viver os factos presentes e a projecção desses mesmos factos segundo o entendimento viciado e torto da nossa mente. Condicionamos a mente a agir desta maneira, então a nossa tarefa agora é fazer o contrário, domá-la, tirar os seus maus hábitos, retirar os vícios. Criar hábitos positivos, um deles é, em vez de raciocinar, passar a contemplar, este é o segredo.

Os conflitos e a guerra interior revelam uma grande falta de respeito para connosco mesmos. Se tivéssemos compreensão acerca da nossa realidade, da verdadeira natureza, certamente devotaríamos muito mais respeito a nós mesmos. Se não nos respeitamos, isso projecta-se para fora e também faltaremos com o respeito aos demais, se não sabemos conviver connosco mesmos, internamente falando, isso projecta-se para a convivência exterior.

Temos de aprender a respeitar a nós mesmos e o segredo disso é conhecermo-nos, investigarmo-nos, levar a atenção para dentro de nós, saber o que ocorre e acontece, perceber, tomar ciência e consciência dos fenómenos psicológicos acontecidos no nosso interior. Para isso, possuímos uma faculdade chamada atenção. Hoje, a nossa atenção está dispersa, espalhada, ela vagueia pelo mundo, precisamos trazê-la e centrá-la em nós, orientá-la e voltá-la para dentro de nós mesmos de maneira concentrada. Isso por si só faz com que a nossa mente pare de projectar, divagar, sonhar, fantasiar.

O homem sonha, identifica-se e sonha, se algo nos chama a atenção a seguir, pois estamos inconscientes de nós mesmos ou com a atenção dispersa, passamos a projectar em cima daquilo que nos chamou a atenção, isso é sonhar. Despertar é trazer a atenção para nós, concentrar essa atenção numa direcção e uma direcção única, o farol que a princípio temos que apontar, olhar ou voltar é apenas o nosso Ser, esse é o segredo.
A nossa desgraça é que olhamos para tudo menos para o nosso Ser, não temos capacidade de concentração, desenvolvemos em nós uma enorme capacidade de distracção, agora toca-nos disciplinar o foco da atenção rumo ao nosso Ser, á realidade, a essa consciência interior, essa luz interior e não às projecções que a nossa mente faz dessa luz ou de qualquer outra realidade, seja ela interna ou externa. Isso são as abstracções, não podemos viver o espiritismo nem fazer o espiritualismo aqui no concreto se estamos a viver em abstracções, isso não é a vida real, não é o TAO.

Quando passamos a investir na edificação de um novo nível de Ser, mais elevado, muitas coisas vão morrendo ou passam a tornar-se secundárias e terciárias e, consequentemente, morrem, pois vamos estudando, analisando e compreendendo naturalmente no tempo devido e isso torna-se então dispensável, porque indispensável é o Ser, a nossa realidade, a vida em si que palpita dentro de nós. É disso que temos de nos dar conta e não focar nas abstracções, projecções e fantasias que a mente faz a partir desses mesmos fenómenos. É difícil traduzir isto em simples palavras, gostaria que realmente houvesse o poder mágico de fazer com que cada um visse isso directamente, mas não é possível tal coisa, cada um terá que descobrir por si.

A nossa situação interior é tão calamitosa que, por uma mera questão de sobrevivência psicológica, acabamos por desenvolver de forma imperceptível ao longo não só desta vida, mas como em todas as vidas anteriores também, isso que podemos denominar como um processo de mentir a si mesmo. E o que vem a ser este mentir para si mesmo?

Se estivermos a andar por uma rua e encontramos um amigo e ele nos cumprimenta, geralmente pergunta-nos “como está? Como tem passado?”. E respondemos sempre que estamos bem, formalmente respondemos isso, mas, na realidade, ao dizer isso temos consciência que estamos bem, se é que estamos bem mesmo, ou é apenas um formalismo social? um verniz social de convivência que criamos? Não quero dizer que neste aspecto formal do relacionamento está contida uma mentira, mas não deixa de estar presente ali o principio da mentira, porque a mentira realmente ganha dimensões terríveis quando passamos a acreditar que estamos cada vez melhor, que o nosso nível de Ser está cada vez mais elevado e perdemos a capacidade e as referências para nos podermos avaliar adequadamente.


Como podemos dar conta destes processos de mentira para connosco mesmo? Hoje em dia é bem difícil, é parte do trabalho de Avatar, Profeta ou Mensageiro trazer sempre um novo esquadro, uma nova régua e um novo compasso. É sempre uma nova doutrina que nos vai servir de espelho. Se, neste preciso momento, o próprio Cristo se materializasse na nossa vida, sala, ou casa e dissesse: “meu amigo, você está a ir cada vez pior, está mal da forma que está hoje...”? Estou bastante seguro que rejeitaríamos de imediato e de forma mecânica tal revelação, porque vivemos uma mentira, uma fantasia, acreditamos que estamos a ir cada vez melhor, quando estamos com um pé no abismo, se somos ricos em defeitos é evidente que somos pobres em virtudes, não há como ter as duas riquezas e aqueles que as têm certamente vivem uma situação anómala na qual são conhecidos como abortos da natureza.

Para acabar com o processo da mentira, devemos voltar a atenção para dentro de nós mesmos, olhar sempre para dentro de nós mesmos, não projectar, não fantasiar. É preciso estudar uma nova ciência, uma nova doutrina, seja ela qual for. Em diferentes épocas da humanidade, diferentes doutrinas foram trazidas ao mundo, mas todas delas têm em comum terem sido rejeitadas maciçamente e apenas aceites por alguns.

Romper com o processo de mentir é uma das coisas mais difíceis, porque a mentira é um recurso que o amor-próprio, que a auto-consideração utiliza para continuar a existir, um processo que o orgulho lança mão para continuar a existir, enfim, a mentira que todos os egos e defeitos utilizam para continuar a existir, fazendo das suas dentro de nós.

Se queremos, realmente, mudar de nível de ser, este é o segredo, acabar com a farsa, com a fantasia e projecção, acabar com o processo da mentira, construir uma capacidade de verdade, vermo-nos, avaliarmo-nos, percebermos como somos, não como imaginamos ser.

Todos nós carregamos uma auto-imagem, imaginamos sempre que somos lindos e maravilhosos, bonitos, perfeitos, caridosos, amorosos. Porém, quando alguém ou alguma circunstância da vida, nos desnuda, seja diante de nós mesmos, seja diante de outro, dizemos: "que vergonha! Que vergonha!". O que está escondido atrás disso? Qual é o segredo de todos esses processos?

A auto-imagem é algo terrível, se estamos muito preocupados com a nossa questão de imagem pessoal, ou de projectar uma imagem de bonzinho ou positiva, mas toda ela baseada em artifícios. Certamente, nem uma nem duas vezes seremos desnudados pela realidade dos factos e isso torna-se um obstáculo enorme para a mudança de nível de ser ou para ascender a níveis elevados de ser.

Observemos a natureza, qualquer pássaro, animal ou árvore, nenhum deles está preocupado em projectar algo a mais do que o que são. Uma árvore é uma árvore, não quer ser mais do que uma árvore, não usa artifícios, enfeites, ela é o que é, assim é a vida toda, sem artifícios, um pássaro, um animal, ele é o que é, é só observarmos o comportamento que sempre os veremos a agir livremente, livres de artifícios. E não nos esqueçamos que qualquer artifício é isso a que chamamos ego, artificial, agregado, não é a realidade, a realidade é o Ser. este é o segredo.

Se nos esquecermos do nosso Ser, daquilo que somos, passamos a viver artificialmente, porque estaremos a querer projectar para os outros aquilo que não somos, se observarmos uma ninhada de gatos no seu desenvolvimento, notamos que eles são o que são, não têm necessidade, preocupação ou insegurança para ocultar o que quer que seja e nem de projectar, são o que são. Esta é uma grande lição que precisamos aprender, despojarmo-nos dos artifícios, ser exactamente aquilo que somos. E podemos descobrir isso em nós com muita auto-observação, auto-exploração, se não desenvolvermos o hábito positivo e saudável de explorarmos, analisarmos, de nos observarmos é evidente que jamais nos auto-descobriremos.

Tudo isto, esta auto-descoberta, e consequentemente, a compreensão de nós mesmos, ou uma auto-revelação, dá-se como desenrolar natural de um trabalho aplicado nesse sentido dentro de nós, sem almejar um resultado, mas apenas pela acção desinteressada, sem artifícios, este é o segredo.

Em poucas palavras, tudo se resume a fazer algo, “pôr a mão na massa”, realizar, trabalhar, ter uma atitude pró-ativa em relação a nós mesmos, darmo-nos conta de que não somos uma coisa, darmo-nos conta do artificialismo da mente, ou seja, ainda temos cinco sentidos, tínhamos mais, hoje restam cinco sentidos, esses cinco sentidos jogam de forma ininterrupta para a nossa mente impressões, essas impressões movem-nos, levam-nos para uma acção ou para uma reacção, depende da nossa atitude, podemos agir e reagir ou seguir reagindo.

O processo de despertar a consciência implica necessariamente uma ascensão do nível do Ser e vai além da mente, da reacção, projecção, artificialismo. Para isso, a técnica da meditação introspectiva, auto-exploração diária, gradativamente retirará as sucessivas camadas artificiais que acumulamos em nós e também nos dará a remoção dos distintos véus que encobrem a luz verdadeira, por isso hoje temos por escassa a luz. Porque criamos ou colocamos muitos véus, temos de remover esses véus da subjectividade. O que vêm a ser esses véus? É o que falámos há pouco, se em vez de ver, contemplarmos a realidade, projectamos ideias acerca dessa realidade isso é um véu que distorce essa mesma realidade.

Se pensarmos de uma forma não – livre, segundo condicionamentos de uma educação universalmente ou socialmente aceite, isso é um véu que impede a luz de brilhar, se seguimos imitando velhos procedimentos, comportamentos, atitudes ou reacções, tudo isso é subjectivismo, só a auto-exploração vê directamente todo este conjunto de artifícios ou coisas que nós mesmos inventamos, alimentamos, conservarmos, tudo isto no fundo, em resumo, nada mais é do que uma ferramenta, um recurso que o nosso egoísmo lança mão para continuar a existir e o egoísmo é formado por amor-próprio, auto-consideração, auto-importância, a mentira é feita para proteger isso.

Tudo isso, no fundo, apenas forma a maquinaria que defende e protege, consequentemente, fortalece o nosso próprio egoísmo. O segredo de romper com tudo isto é começar a, aqui e agora mesmo, atrelar o foco da atenção e projectá-lo para dentro de nós, para auto-explorar, não perder o foco da atenção, não nos esquecermos de nós mesmos, não deixarmos de meditar, não deixarmos de nos explorar mais e mais profundamente a cada dia, a cada hora. Aos poucos, iremos nos conhecendo, porque nos iremos descobrindo, fazendo consciência gradativa de tudo aquilo que está dentro de nós, consequentemente, poderemos fazer um balanço, uma análise daquilo que está a sobrar, que são os artifícios e daquilo que está a faltar, atrofiado, oculto ou o que é preciso ser construído, que são as nossas virtudes.
Este é o Segredo.

7 comentários:

Ana disse...

Compreendo "The Secret" de forma diferente! Tal como para Roma, tb para o despertar existem muitos caminhos. Este é um filme mt válido e com uma mensagem de fundo mt importante: Nós somos o que pensamos e vibramos". Tal como tudo pode ter uma boa ou má utilização, mas isso cabe a cada um! Namastê

J.C. disse...

O meu Deus interno também saúda o seu Deus interno (Namastê), tem toda a razão, como digo algures neste blog, é a minha opinião, não tem de ser a sua. apenas comento o que penso, e penso que a mensagem que o produtor do filme quis transmitir é uma mensagem errónea e materialista acima de tudo. precisamente porque procurei ver mais fundo...

Bruno Silva disse...

Vivemos num mundo cada vez mais materialista e consumista (á semelhança da era da Atlântida), claro que vibrando na vibração do planeta, as pessoas veem e pensam da forma que mais lhes convém, basta para isso ver o comentário deixado acima. Como pode alguém achar profundo e edificante, ou como tendo algo a aprender num filme destes? que superficial é o filme. vira quase obsessão ter que pensar no mesmo 24 horas por dia... e a coisa acontece? pensamento de forma não é isso, pensamento de forma está para o tema secret como a oração está para o assassino que ora a Deus a pedir clientes. O verdadeiro cego é aquele que não quer ver. Parabens pelo texto.

serenidade disse...

Todas as formas são válidas para a evolução espiritual, para uma vida "boa". Tudo depende do estado de Ser em que cada um se encontra. Acho o filme muito bom, mas também acho que não pode ser só assim, taxativamente como diz o filme, se assim fosse, todos os que viram o filme seriam ricos, bem sucessidos nos relacionamentos e com saúde. Mas creio que tem razão quando diz que tudo depende do Ser, acredito mais no Ser do que no Ter e não é só de agora. Cada vez mais sou auto-observadora e critica do meu estado de Ser, o que tb implica por vezes não conseguir compreender o estado do Ser de outros que comigo cruzam, no entanto, aceito-o com um sorriso pois sei, por experiência que nada posso fazer para os ajudar a alterar, e quando o tentei apenas desci no meu estado de Ser... visto que minhas vibrações baixaram... posso estar enganada, posso estar a fazer entender-me mal, se calhar sim... mas no fundo o que quero dizer e resumindo é que: concordo na totalidade com este Texto o Segredo não é só o Segredo do filme tem muito a ver com a forma de Ser da pessoa (onde está implicito o "merecimento" pelo seu Ser de ontem e de hoje que condicionará o de amanhã!) se calhar fui confusa, mas as ideias ainda saem de mim assim...confusas... embora eu as compreenda.

Obrigada.

Serenos sorrisos - Carla.

JC disse...

Serenidade, diz que: pois sei, por experiência que nada posso fazer para os ajudar a alterar, e quando o tentei apenas desci no meu estado de Ser... visto que minhas vibrações baixaram... posso estar enganada, posso estar a fazer entender-me mal, se calhar sim...
ajudamos todos os dias amiga, as pessoas veem mais depressa o que somos do que o que dizemos, para ajudar os outros ás vezes basta crescermos, os outros ao ver, tb querem ir "para ali".
Outro tipo de ajudas, para as fazer tem de ter protecçoes, equilibrio, etc... não podemos dar o que não temos.
experimente um centro espirita e vai ver que consegue ajudar e muito pois é uma médium que precisa trabalhar. Não confunda ajudar com servir. O médium deve servir... Ajudar é terreno.

serenidade disse...

Amigo,

mas poderei também ajudar sem ser num centro espirita, certo?

JC disse...

serenidade,
amiga, claro que podes, onde quiseres, basta olhares á tua volta. mas primeirro ajuda-te a ti mesma, então serás tu por inteiro em tudo que fizeres.
bjo

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