O Verdadeiro Mestre


O Verdadeiro Mestre

O Coração é o órgão mais sensível do nosso organismo. Nas suas finas membranas são registados até os movimentos sísmicos mais longínquos do mundo. O coração é o templo sagrado do Mestre Interno. O Mestre Interno fala-nos na linguagem do coração. Se o homem obedecesse a essa linguagem, viveria sem problemas.

Dentro de nós, há dois homens que vivem em eterna luta, um contra o outro. Há em nós um homem celestial e um homem animal. O homem animal quer resolver todas as coisas por sua conta e actuar como melhor lhe parece. O homem celestial fala na linguagem do coração; a sua voz é a voz do silêncio, os seus actos são sempre rectos e criam felicidade.
O homem animal é a mente que reside na cabeça.
O homem celeste é o Mestre Interno.

O Mestre ordena e a mente não lhe obedece; ela quer resolver todas as coisas por sua própria conta e actuar como melhor lhe parece, sem ter em conta para nada as ordens do Mestre Interno. Como consequência disso, surgem necessariamente a dor e a amargura que são o resultado da acção errada e do esforço inútil.
Ditosos os que apenas se movem sob o comando da voz do silêncio. A eles jamais faltará alimento, refúgio e ajuda. Viverão sem problemas e terão bem-aventurança. Cocheiro, dominai bem ao potro selvagem da mente, para que não lance vosso carro ao abismo.
O Mestre Interno é o Senhor do Coração. Ele é o Íntimo e está muito além da vontade e muito além da consciência. O Mestre Interno é a divina testemunha e está sentado no trono do templo-coração.

A essência interna do Mestre é felicidade absoluta e omnisciência ilimitada. O Mestre Interno é simples. Todos os demais são compostos.
A Natureza eterna vive mudando, porém o Mestre Interno é imutável, e por esta causa, pode-se livrar da Natureza.
A Natureza arroja as suas sombras sobre o Mestre Interno, porém ele está além de todas as sombras. Quando a alma se funde com o Mestre Interno então liberta-se da Natureza e entra na suprema felicidade da existência absoluta.
Esse estado de felicidade chama-se Nirvana.
Ao Nirvana chega-se através de milhões de nascimentos e mortes, porém chega-se também por um caminho mais curto. Esse é o Caminho da Iniciação.
O Iniciado chega ao Nirvana numa única vida, se assim o quiser.
"Apertada é a porta e estreito o caminho que conduz à luz, e muito poucos são os que o encontram."

Existem sete santuários iniciáticos no plano astral e se o discípulo quer progredir nesta senda, tem que procurar um Mestre.
"Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece."
"Cuidai-vos dos falsos profetas". Não aceiteis Mestres externos, do plano físico. Aprendei a comunicar com o astral e quando já estiverdes práticos, escolhei um autêntico Mestre da Fraternidade Branca e consagrai-lhe a mais profunda devoção e o mais profundo respeito.
No mundo físico deveis andar com muito cuidado, pois existem falsos profetas em demasia. Não aceiteis ordens externas de ninguém; devereis unicamente obedecer às ordens do plano astral.
No mundo físico, há inúmeros Iniciados de Mistérios Menores, bons e sinceros, porém ainda não se fundiram com o seu Mestre Interno. Consequentemente, têm cometido erros graves e gravíssimos, os quais podem extraviar o estudante e até fazê-lo cair no abismo.
"Sede simples como a pomba e astutos como a serpente."
"Sede mansos e humildes, porém quando se tratar da verdade, sede fortes em pensamentos, palavras e obras."

Quanto mais alto estejais, mais terrível será a queda.
Cuidai-vos pois de cair, porque o discípulo que se deixa cair tem de lutar muito para recuperar o perdido.
Estas regras são muito simples, porém de terrível importância.
Conheci muitos Iniciados de mistérios menores que conheceram e aceitaram os falsos profetas do plano físico, então caíram no terrível abismo.
Há pessoas que pensam que se pode chegar ao Nirvana sem passar por qualquer iniciação. Tais pessoas estão enganadas. Elas seguem o sendeiro espiral da vida e só através de milhões de vidas e de mortes chegarão ao Nirvana. Porém, há também outros que se querem fundir rapidamente com o seu Íntimo e, no entanto, estão a gozar com as sagradas iniciações.
Estes são os mais perigosos, porque pisaram a senda e agora estão a gozar com ela. Estes são os "insultadores" de Victor Hugo. Estes são os profanadores do templo.
Querer fundir-se rapidamente com o Íntimo sem ter passado pelas iniciações, assemelha-se a querer doutorar-se em medicina sem ter cursado regularmente na Universidade; ou querer ser general sem ter passado por todos os graus militares.
Todas as iniciações são recebidas nos templos do astral, porém a escola é a própria vida.
Devemos actuar sobre o coração por intermédio da meditação.
Temos que concentrar a mente no Mestre Interno. Temos que meditar na sua Majestade. Temos que falar com ele até ouvir a sua voz e conversar com ele coisas inefáveis. A isso chama-se Samadhi. A concentração é uma técnica.

"Antes que a alma possa ouvir, a imagem (o homem) deverá ser tão surda aos rugidos como aos murmúrios, aos bramidos do elefante como ao argentino zunir do pirilampo dourado."
"Antes que a alma possa compreender e recordar, deve estar unida ao falante silêncio da mesma maneira que o formato que a argila há-de ter, está unida à mente do artesão."
"Porque então a alma ouvirá e recordará."
"E, então, ao ouvido interno, falará a voz do silêncio."
Assim, devemos praticar de modo especial a meditação interna. Aconselho que pratiquem a meditação interior naqueles instantes em que se sentirem mais predispostos ao sono. Deveis dominar totalmente o potro selvagem da mente. Deveis dominar todas as possíveis reacções da mente perante as coisas e sons do mundo físico.
O Mestre Interno não é a mente, não é a emoção, não é a vontade, não é a consciência e nem sequer a inteligência.

O Mestre Interno é a divina testemunha; o Mestre Interno é o Ser. Ele é o Íntimo.
Sede exigentes com o vosso Mestre Interno. Ele deve ensinar-vos as coisas mais inefáveis. Se a Vossa concentração for intensa, então penetrareis nas maravilhas dos cosmos e aprendereis coisas impossíveis de descrever com palavras.
Somos enérgicos e bondosos ao mesmo tempo; somos magnânimos, místicos e autoritários. Temos tendência para a ira e devemos lutar muito para dominar esse defeito.
Namastê
(namastê é o mesmo que: "o meu Deus interno saúda o teu Deus interno")

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