Madre Teresa de Calcutá


Madre Teresa

(Conferência sobre População e Desenvolvimento no Cairo).

Nafis Sadik, egípcia, Secretária geral da Conferência, defende o controle da natalidade mediante a descriminalização do aborto e o mais que for preciso.

A Madre Teresa sobe ao estrado, no meio de um ansioso silêncio, feito de irreprimível admiração e de temor pelo testemunho vivo da coerência materializada num ser humano, e, com a voz transida de emoção, de uma emoção que contagia os mais recalcitrantes, diz concisamente:
- O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo.
O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso.

Se todo o dinheiro que se gasta para matar, fosse gasto para fazer com que as pessoas vivessem, todos os seres humanos encarnados e os que hão-de vir ao mundo viveriam muito bem e muito felizes.
Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre a maior das pobrezas (...)

Bill Clinton, (Presidente dos Estados Unidos), é batista de religião. No meio dos retratos que tinha no seu gabinete oval da Casa Branca, encontrava-se uma fotografia com dedicatória da Madre Teresa.

Clinton nutre uma verdadeira veneração por ela, apesar de que, cada vez que a recebia, ouvia uma repreensão em regra, sem a menor contemplação: a Madre lembrava-o não do que havia (há) para fazer, mas do que ele, concretamente ele, podia e devia fazer para salvaguardar a paz na justiça e na liberdade, para resolver dignamente os problemas da pobreza e evitar que as mulheres norte-americanas se vejam forçadas ao drama do aborto.
- O aborto provocado - dizia-lhe - é uma das minhas maiores cruzes; é a maior barbaridade contra a paz do mundo, porque, se uma mãe é capaz de matar o seu filho, o que pode evitar que nos matemos uns aos outros?

Há muitos anos, a Madre declarou à revista italiana Gente: "As crianças são o melhor presente que Deus nos pode dar, mas o homem, no seu egoísmo, nem sempre aprecia este dom. Com frequência, as crianças são rejeitadas, abandonadas, maltratadas e até assassinadas. Desde a minha juventude, luto contra esses delitos".

As primeiras criaturas com que a Madre Teresa iniciou a sua nova missão, depois daquela noite em que, viajando de Calcutá a Darjeeling, o Senhor lhe abriu os olhos para a miséria absoluta e despertou a sua vocação de servir Jesus nos mais pobres, foram precisamente cinco crianças abandonadas. Contou-o assim:
"Vivíamos num tugúrio, nos arredores de Calcutá, na região mais miserável da cidade. Eu buscava alimento entre os desperdícios. Não tínhamos nada, mas eu amava aquelas crianças e elas eram felizes porque se sabiam queridas. Não há pior tristeza no mundo que a falta de amor. Vi crianças que se deixavam morrer porque ninguém as amava. Sou mãe de milhares de crianças abandonadas. Tenho-as recolhido do lixo das ruas. Tenho-as recebido da polícia, dos hospitais onde foram rejeitadas pelas ((mães)). E vou levando-as para diante".

Algumas adolescentes foram violentadas com toda a selvajaria em Bangladesh. As autoridades queriam fazê-las abortar. A Madre Teresa interpôs-se.

A uma doutora que insistia em dizer que uma criança não-nascida não é um ser humano, disse-lhe:
- Se a senhora está casada e traz um ser no seu ventre, é um ser humano ou o que é?
- Bem - disse a médica -, isso seria diferente.
- Estas meninas - replicou-lhe a Madre Teresa - foram forçadas contra a sua vontade, mas isso que os senhores querem fazer nelas, isso sim, é que é uma violação muito pior e um assassinato. Eu me encarregarei dos bebês quando nascerem...

Contaram alguns dos seus colaboradores que a Madre tinha um grande álbum com muitas fotografias e que, quando as revia, ficava como que ensimesmada, cheia de ternura e de alegria.

Os retardados mentais, os debilóides, os que ninguém aceita, nem acolhe, nem adota, os que ela conseguiu salvar da morte no ventre da mãe, "esses ficam comigo. A natureza foi cruel com eles, mas são filhos de Deus e têm tanta necessidade de carinho! São os meus prediletos".
(adaptado do livro "Madre Teresa de Calcutá", de Miguel Velasco, 1996)

1 comentário:

antonio simões disse...

todos os dias se ouve noticias do que falta ou brevemente faltará no Mundo: água, combustiveis, comida saudável, ar, condições climatéricas, etc, etc... Poucos são os que se preocupam com as faltas mais urgentes e que talvez sejam as que salvarão a humanidade: paz, amor pelo proximo, isenção de egoismo, etc, etc. amar ao proximo sem o jungar e aceitando-o como é é a maior prova de amor. se mato um feto, pense eu que é um ser humano ou não, o pensar que não o é, é apenas a desculpa para o acto em si; toda a mulher que aborta so esta a pensar em si, não esta a pensar se o ser aguenta a doença ou seja o que for, ela é que nao quer por vaidade e egoismo.so está a pensar nela e no que pensam dela. assim vai o mundo. parabens amigo... se precisar de algo disponha. mandei para o seu mail o meu contacto.

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