Cauteleiro



Ao ver contente a correr,
Um garoto a oferecer,
As cautelas com meiguice;
Eu dele me aproximei,
Uma cautela comprei,
Em seguida assim lhe disse:

Ouve lá, tu ó garoto,
Porque andas descalço e rôto...
Dás-me impressão de um vadio;
Pois até me custa a crer,
Porque não estás a tremer,
Num dia de tanto frio.

Nem teu pai, nem tua mãe,
se importam de ti, também,
que te faças mariola;
Cautelas não vendas mais,
não te importes de teus pais,
Deves ingressar na escola.

Oiça lá senhor, porém,
Eu não tenho pai nem mãe,
E ao dizer isto chorou;
Meu pai saíu da terra,
Foi num batalhão prá guerra,
e não mais regressou.

Minha mãe, sofreu, sofreu,
De tanto sofrer morreu,
E eu fiquei bem pequenino;
Mas se tenho algum pecado,
Creia senhor, não sou o culpado,
A culpa foi do destino.

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