A Borboleta


A Borboleta


Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo. Um homem sentou-se e observou por várias horas a borboleta que de lá saía, o quanto ela se esforçava para fazer com que o seu pequeno corpo passasse através daquela fenda.

Num determinado momento, pareceu ao homem que ela tinha parado de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia e não conseguiria fazer mais nada para sair do casulo.

Então, o homem decidiu ajudar a borboleta. Pegou numa tesoura e cortou o resto do casulo. A borboleta saiu facilmente, mas o seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas defeituosas. O homem continuou a observar a borboleta, esperava que, a qualquer momento, as suas asas abrissem e que esticariam para alçar vôo, suportando o peso do seu próprio corpo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, com a sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, é que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo de Deus fazer com que o fluído vital fosse para as suas asas, de modo que, ela estaria pronta para voar tão logo estivesse livre do casulo.

Por vezes, o esforço é justamente o que precisamos na nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através das nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele deixar-nos-ia aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes quanto poderíamos ter sido.

E nunca, nunca poderíamos voar.

Não sejamos como o homem bem-intencionado do conto: na maioria das vezes, interferimos no karma, quando não no livre-arbítrio, daqueles que, de coração, pretendemos ajudar e longe de fazer-lhes bem, agravamos a sua situação – para não dizer o quanto pioramos a nossa própria.

O inferno não é o lugar onde todos os bem-intencionados se encontram?
Aprendamos a ler nas entrelinhas da escritura divina. Nada é de graça – nem para o bem, nem para o (suposto) mal – nas nossas vidas. É claro que pais querem minorar o sofrimento dos filhos e vice-versa, o mesmo ocorre com os amigos, parentes e até estranhos, por uma questão de compaixão.

Mas tomemos cuidados. Façamos o que está no limite de nosso alcance. Caso não tenha sido o suficiente, rezemos.

Acima disso está a Providência Divida com a sua Sabedoria.

Olhemos as ostras.
“As ostras que produzem pérolas, são aquelas que foram incomodadas por um grão de areia.”

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